A comunicação estratégica, voltada ao fortalecimento das causas sociais, foi o foco da palestra “Você é o que compartilha? O compromisso com histórias que inspiram, impactam e mobilizam as ações do Terceiro Setor”, ministrada pela jornalista Suéller Costa, especialista em Educomunicação pela USP. Realizada na edição de outubro do projeto “Café, Projetos e Terceiro Setor”, a atividade foi promovida pelo Educom Alto Tietê, em parceria com a Rede Pocante, que desenvolve ações voltadas ao fortalecimento do Terceiro Setor, e integrou a programação regional da 3ª Semana Brasileira de Educação Midiática. Com o apoio de Ariane Perez, o evento reuniu lideranças comunitárias e representantes de organizações sociais da região.
Durante a palestra, Suéller apresentou os princípios da comunicação com propósito sob o viés da Educomunicação, provocando reflexões sobre como as instituições sociais desejam ser percebidas, como constroem suas narrativas e de que forma podem preservar sua essência e trajetória por meio de histórias autênticas, estratégicas e mobilizadoras. A proposta reforçou a importância de comunicar com intencionalidade, sensibilidade e ética, especialmente em um cenário marcado pelo excesso de informações e pela necessidade de engajamento com o público.
Durante o encontro, Suéller apresentou as narrativas transmídias – aquelas que se desdobram em diferentes formatos e plataformas – como forma de ampliar o alcance das mensagens e fortalecer a imagem pública das instituições. Em tempos de disputas por atenção nas redes, comunicar com responsabilidade torna-se essencial para mobilizar públicos e consolidar parcerias.
A roda de conversa abordou o uso consciente das mídias como ferramenta de empoderamento institucional, reforçando que a comunicação deve estar alinhada aos valores e propósitos das organizações. A educomunicadora também apresentou estratégias para que os participantes desenvolvam conteúdos que encantem e engajem, sem perder a veracidade e o compromisso com suas causas.

Mão na Massa: narrativas em construção
Após a palestra, os participantes foram convidados a colocar a teoria em prática em uma dinâmica colaborativa. Divididos em grupos, cada equipe escolheu uma instituição representada entre os presentes e se comprometeu a contar sua história por meio de diferentes linguagens: produção de um reel (vídeo curto), criação de um feed para redes sociais, gravação de um podcast e elaboração de uma matéria jornalística.
A atividade teve como objetivo apresentar as características e potencialidades de cada formato, orientando os participantes sobre como adaptar suas narrativas às diferentes plataformas. Todos foram introduzidos ao conceito do lead jornalístico, o parágrafo inicial que responde às perguntas essenciais: o quê, quem, quando, onde, como e por quê? Questões que representam a estrutura base para qualquer tipo de conteúdo informativo.
O momento “Mão na Massa” foi uma oportunidade de troca entre os representantes das instituições, que puderam conhecer os trabalhos uns dos outros e refletir sobre como comunicar suas ações de forma mais eficaz e inspiradora.

Vozes do Terceiro Setor
Alguns participantes compartilharam suas avaliações sobre o encontro de outubro. Joyce Moreira de Oliveira, da Rede Cidadã, destacou: “Foi produtivo. Pudemos conhecer os trabalhos dos integrantes do nosso grupo e dos demais. Tivemos a oportunidade de adquirir conhecimentos e conhecer as ações dos colegas através da socialização da atividade coletiva”.
Para Susana Miranda Rocha, que atua na área de assistência social voltada a pessoas com deficiência, o encontro foi enriquecedor: “Excelente aprendizado. Esta edição foi maravilhosa”.
Já Marcos Roberto do Espírito Santo, do Náutico Mogiano e do Conselho Municipal para Assuntos da Pessoa com Deficiência (CMAPD), ressaltou a importância da comunicação objetiva: “Foi um encontro dinâmico, que destacou como realizarmos uma comunicação clara para evidenciar nosso propósito”.
A iniciativa reforçou o papel da comunicação como estratégia de transformação social e mostrou que, quando bem utilizada, ela pode ampliar o impacto das ações do Terceiro Setor, fortalecer redes de apoio e inspirar novas mobilizações em prol do desenvolvimento comunitário.

