Quem atua na Educação Básica sabe: gírias, memes, expressões, inclusive corporais, estão sempre em alta entre crianças e adolescentes. Influenciados pelo universo digital, eles criam e recriam formas próprias de se comunicar, tanto na fala quanto nas atitudes. São códigos que mudam rápido, mas dizem muito sobre como essa geração vê e vive o mundo.
Atenta a essas manifestações culturais juvenis, a professora e educomunicadora Suéller Costa decidiu mergulhar nesse universo. Em vez de resistir, ela escolheu aprender com os alunos, compreender suas linguagens e, principalmente, utilizá-las com intencionalidade pedagógica. O resultado? Um projeto de educação midiática que uniu os interesses dos estudantes aos objetivos da sala de aula.
Desenvolvido com alunos da Escola Municipal João Baptista Jungers, em Guararema (SP), o projeto integrou a Semana Brasileira de Educação Midiática, iniciativa nacional voltada à promoção da alfabetização midiática e digital. Na região, a programação foi mediada pelo Educom Alto Tietê, em parceria com diversas instituições, incluindo escolas municipais e estaduais, tanto públicas quanto privadas.
Dentre elas, a unidade guararemense, cuja proposta ganhou forma em uma sequência didática voltada à discussão sobre segurança on-line. Mas foi além: os alunos passaram a refletir sobre o papel dos influenciadores digitais em suas vidas. Quem são, o que dizem, o que promovem e como impactam os modos de ser e agir das novas gerações? Estes questionamentos percorreram as atividades. Afinal, esses “novos informantes” exercem influência direta sobre comportamentos, valores e percepções de mundo.

Durante os debates, os estudantes, e, inclusive, a professora, identificaram que muitas das expressões que utilizam no dia a dia vêm desses influenciadores. São as chamadas “gírias da internet”, “jargões da Geração Z e Alpha” ou, quando surgem no TikTok, os populares “TikTalks”.
A partir dessa apropriação linguística, os alunos criaram um vídeo educativo sobre segurança na internet. O diferencial? Usaram exatamente a linguagem que os contagia: os jargões, gírias e expressões de seus influenciadores favoritos. Com humor e criatividade, apontaram canais positivos e aqueles considerados inadequados para o público infantil e juvenil.
O resultado é um vídeo leve, divertido e cheio de aprendizados. Ele mostra como a Geração Alpha (os nascidos entre os anos de 2010 e 2025) tem muito a ensinar, especialmente quando se trata de comunicação digital. Ao utilizar suas próprias formas de expressão, os alunos não apenas produzem conteúdos educativos, mas também se veem representados neles.
Aprender com eles é essencial. Afinal, compreender suas linguagens é também compreender seus mundos. E, a partir disso, construir pontes entre educação, mídia e juventude.

