Por Suéller Costa

O Educom Alto Tietê marcou presença na II Semana Brasileira de Educação Midiática com uma série de atividades em espaços educativos da região. A iniciativa é realizada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República (PR) em parceria com o Ministério da Educação (MEC) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Contou, ainda, com a colaboração de instituições, coletivos e grupos nacionais, que, em seus territórios, viabilizam ações que destaquem a importância de um debate mais crítico, ativo e participativo acerca dos usos, apropriações e intencionalidades das mídias e recursos tecnológicos, que, em meio à cultura digital, passam a fazer parte do cotidiano da sociedade.

Em todas as regiões brasileiras, estudiosos, pesquisadores, professores e educomunicadores mobilizaram rodas de conversas, oficinas, palestras acerca do tema em suas cidades. Elas aconteceram nacionalmente entre os dias 29 de outubro e 1 de novembro. Na região, o Educom Alto Tietê realizou encontros com estudantes da Educação Básica, do Ensino Fundamental ao Médio, das redes públicas e privadas.

Conduzidas pelos educomunicadores Delcimar Ferreira e Suéller Costa, que integram o projeto regional, as atividades começaram na Escola Municipal de Educação Básica (Emeb) Prof. José Antonio Bortolozzo, na Cidade Kemel, em Poá. Ferreira mediou um bate-papo com os estudantes sobre as mídias e os direitos da Criança e do Adolescente. O encontro contou com a presença de representantes do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) de Poá, que apresentaram o documento e o debateram com os participantes.

Juntos, elencaram a importância dos jovens estarem cientes dos direitos direcionados a eles em diversas áreas, assim como os seus deveres para lutar pela garantia de acesso a cada um deles. Uma oportunidade para conscientizar a juventude sobre a importância de exercer o papel de cidadão, ou seja, com olhares atentos às suas realidades e disposição para buscar melhorias necessárias tanto no quesito individual quanto, sobretudo, coletivo, para que mudanças significativas ocorram na sociedade.

Na oportunidade, o direito à profissionalização, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente foi enfatizado com a presença de diversos profissionais, que contaram um pouco sobre suas trajetórias.

As atividades começaram na Escola Municipal de Educação Básica (Emeb) Prof. José Antonio Bortolozzo, na Cidade Kemel, em Poá. Delcimar Ferreira mediou um bate-papo com os estudantes sobre as mídias e os direitos da Criança e do Adolescente Foto: Raphael Pereira e Sara Domingues

 

Você é o que compartilha?

As atividades seguiram para a Escola Estadual Prof.ª Lucinda Bastos, no Conjunto Santo Ângelo, em Mogi das Cruzes.  A educomunicadora Suéller Costa conduziu uma roda de conversa com alunos do Ensino Fundamental, abrindo os diálogos com a seguinte pergunta: Você é o que compartilha?

O objetivo, além de apresentar a Semana Brasileira de Educação Midiática, era fazer um levantamento quanto à participação da juventude nos espaços digitais e de suas responsabilidades, em especial, nas redes sociais, no papel de consumidores e produtores de conteúdo. O debate foi produtivo, com a socialização dos perfis, causas que mobilizam, assuntos de interesse e de como eles se veem dentro e fora do universo virtual. Segundo a professora Nídia Maria Silva Rodrigues, “foi uma manhã valiosa para os nossos alunos, que precisam conhecer melhor os benefícios e malefícios deste universo, que carece de cuidados, atenção, responsabilidade”.

Na Escola Estadual Prof.ª Lucinda Bastos, em Mogi das Cruzes, os alunos foram interrogados sobre seus percursos nas redes digitais, o que fazem, onde navegam, assuntos de interesse e como se identificam fora e dentro dos ambientes virtuais Foto: Nídia Rodrigues

 

As atividades tiveram sequência com os estudantes do Colégio Guarani, em Mogi das Cruzes. Nos ensinos Fundamental e Médio, abrimos as conversas conhecendo os principais assuntos que acompanham no universo virtual, quais os tipos de perfis que seguem, os influenciadores que admiram, além de seus entendimentos sobre o processo algorítmico que conduz suas timelines e direcionam sua bolha informacional. Em seguida, os jovens compartilharam seus perfis nas redes, e boa parte deles, além de consumidor, é produtor, compartilhando conteúdos sobre esportes, religião, curiosidades, jogos, projetos pessoais, além da rotina semanal. São participativos e reconheceram que a responsabilidade é fundamental para que seja feito um bom uso dos ambientes virtuais. Segundo o professor Cristiano Cardoso, “os debates foram importantes, porque as tecnologias estão impactando todas as áreas, em nossas aulas, estamos estudando este tema. Para eles, é importante ter contato com especialistas, para conhecerem melhor este espaço que eles navegam, tendo consciência do que compartilham e das responsabilidades com a imagem que eles transmitem em suas redes sociais”, finalizou.

 

As atividades tiveram sequência com os alunos do Colégio Guarani, em Mogi das Cruzes; eles compartilharam seus entendimentos sobre o processo algorítmico que conduz suas timelines e socializaram os assuntos que acompanham e compartilham com seus seguidores, demonstrando ciência de suas responsabilidades nas redes Foto: Cristiano Cardoso

 

Anos Iniciais do Ensino Fundamental

Os alunos da rede municipal de Guararema também integraram a programação da Semana Brasileira de Educação Midiática. Neste ano, foi preparada uma sequência didática com as turmas dos 4º e 5º anos da Escola Municipal Domingos Lerário, no Parque Agrinco. Primeiramente, eles foram questionados quanto às suas passagens pelo universo virtual, o que fazem, o que acessam, onde navegam, o que gostam de fazer. Logo mais, foi perguntado se eles estão na rede social, sendo que, pelas suas idades, de 9 a 11 anos, não poderiam. No entanto, boa parte deles, mesmo sabendo das regras, confirmou sua presença no Instagram, e, principalmente, no Tik Tok. Partimos para os benefícios e malefícios deste universo, e, principalmente, das responsabilidades nesta sociedade, que, assim como a presencial, precisa ser semeado o respeito e a boa convivência.

Logo mais, o assunto foi aprofundado com trabalhos em grupos. Divididos em equipes, termos em inglês foram distribuídos entre eles, tais como fake news, deep fake,  misinformation, information, dentre outros. Eles tiveram de pesquisá-los, preparar um mapa mental elencando seus principais sentidos, preparar uma apresentação e compartilhar os conceitos com os demais alunos. Nesta troca, compartilharam experiências com suas famílias, como notícias falsas, na qual acreditaram; golpes em compras pela internet; e plágios de dados pessoais e clonagem de conta nas redes sociais.

As atividades, que visavam a uma imersão pelo tema, rendeu uma sequência didática que possibilitou conhecer um pouco mais os alunos, que se encontram na faixa etária dos 9 aos 11 anos, e do quanto já vivenciaram experiências positivas, como em suas socializações nos ambientes virtuais, como negativas, como golpes com seus dados.

 

Em Guararema, as turmas dos 4º e 5º anos da Escola Municipal Domingos Lerário, pesquisaram alguns termos, como fake news, deep fake, misinformation, dentre outros, que remetem à cultura digital; eles prepararam mapas mentais sobre os conceitos e apresentaram aos colegas, socializando suas experiências com notícias falsas, golpes e plágios Foto: Suéller Costa

 

Por novos debates

As ações em prol dos debates acerca de uma educação para, com e pelas mídias, a fim de promover uma cidadania digital, continuam. Escolas que tenham interesse em receber o Educom Alto Tietê para uma atividade especial podem entrar em contato pelo e-mail educomaltotiete@gmail.com e sueller.costa@gmail.com.