Por Suéller Costa
Um webnário especial marcou o pré-lançamento da Semana Brasileira de Educação Midiática, uma importante iniciativa a ser realizada entre os dias 23 e 27 de outubro para reunir ações realizadas em prol de um educar criticamente para as mídias. Este tem sido um dos maiores desafios nos âmbitos educativos, em vista das aceleradas transformações tecnológicas, sobretudo, as digitais, que colaboraram para a ampliação do acesso à informação, mas, ao mesmo tempo, alavancaram uma onda de desinformação.

Pré-lançamento contou autoridades e representantes da sociedade civil, que enalteceram a importância de um educar para as mídias, essencial para o fortalecimento da democracia.
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O evento virtual, realizado no dia 28 de setembro, foi mediado por Mariana Filizola, coordenadora-geral de Educação Midiática da Secretaria de Comunicação (Secom) do Governo Federal. Ao lado de representantes da sociedade civil, apresentou a proposta para levar informação, mas, em especial, conhecimento, para que as habilidades e competências nas áreas tecnológicas, midiáticas e informacionais se tornem uma missão das entidades governamentais, tornando-se uma política de Estado, para que haja um efetivo desenvolvimento no cenário nacional.
Sob responsabilidade da Secretaria de Políticas Digitais (SPDIGI), do Governo Federal, a Semana Brasileira de Educação Midiática trata-se de um capítulo brasileiro do evento global da Unesco sobre Alfabetização Midiática e Informacional (MIL Week 2023). Conta com o apoio da entidade internacional e a parceria do Ministério da Educação (MEC), além de organizações da sociedade civil – universidades, grupos de pesquisas, centros acadêmicos, institutos, ONGs, coletivos, educomunicadores, ativistas – que vêm se dedicando aos estudos, pesquisas e práticas no segmento ao longo dos anos.
Falar de educação para a democracia é falar de educação midiática”, diz Mariana Filizola, coordenadora-geral de Educação Midiática da Secretaria de Comunicação (Secom) do Governo Federal
Conexão à realidade das pessoas
Victor Pimenta, Diretor da Secretaria de Políticas Digitais, vinculada à Secretaria de Comunicação, ressaltou a necessidade de um programa realizado em âmbito nacional, de forma coletiva, síncrona e sistêmica. Apontou a importância das organizações envolvidas, sobretudo, o MEC, para destacar que a agenda deve ser uma missão brasileira. Compreender a mídia a partir de uma leitura crítica é uma habilidade essencial para a promoção da cidadania, emergente para uma sociedade em constantes transformações, principalmente nos aspectos midiáticos e informacionais. “Queremos construir uma educação midiática viva, pulsante, conectada à realidade das pessoas, que represente as sociedades, sobretudo, as marginalizadas. Que ofereça às crianças as ferramentas necessárias para transitar neste mundo digital e ajude na construção de um país mais justo e igualitário”, ressaltou.

Queremos construir uma educação midiática viva, pulsante, conectada à realidade das pessoas, que represente as sociedades, sobretudo, as marginalizadas”, Victor Pimenta, Diretor da Secretaria de Políticas Digitais, da Secretaria de Comunicação do Governo Federal
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Integração aos currículos
Ana Dal Fabbro, coordenadora-geral de Tecnologia e Inovação do Ministério de Educação (MEC), destacou a importância de uma educação midiática integrada aos currículos, uma vez que se trata de uma área transversal e deve ser trabalhada nos contextos da educação básica em todo o seu percurso. “Este olhar deve começar desde cedo, para a formação de cidadãos mais críticos, pois, agora, eles são digitais. Precisa fazer parte do desenvolvimento integral do indivíduo. No âmbito da tecnologia, a educação midiática ganha uma relevância e complexidade devido às formas de interação social e ao avanço das tecnologias digitais, portanto, precisamos muito do educar para a cidadania digital”, ressaltou.
Comunicou o lançamento do projeto “Escolas Conectadas”, que visa à integração da tecnologia nas escolas brasileiras, a fim de potencializar as habilidades e competências dos estudantes em todas as temáticas, em especial, as inerentes aos aspectos tecnológicos. Destacou o cenário de desigualdade em todo o Brasil, e a desconexão ainda existe em muitas regiões. Deste modo, o compromisso do governo federal, até 2026, é ampliar os olhares para as escolas, pensando na formação de alunos e professores para abarcar a responsabilidade de disseminar uma educação midiática que os oriente quanto aos usos responsáveis das ferramentas tecnológicas, da internet e dos ambientes digitais, preparando-os para os novos modos de ensinar e aprender nos tempos contemporâneos.

A educação midiática ganha uma relevância e complexidade devido às formas de interação social e ao avanço das tecnologias digitais, portanto, precisamos do educar para a cidadania digital”, Ana Dal Fabbro, coordenadora-geral de Tecnologia e Inovação do Ministério de Educação (MEC)
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Inclusão informacional
Adauto Soares, coordenador de Comunicação da Unesco, destacou as ações da equipe Comunicação e Informação, que trabalha com temas diversos, como o direito à liberdade de expressão. Celebrou o lançamento da Semana Brasileira de Educação Midiática, por ser uma importante iniciativa a ser integrada a um calendário internacional, ao qual ele atua ao longo dos anos. Em sua fala, anunciou o Dia Internacional do Acesso Universal à Informação, celebrado em 28 de setembro, exatamente na data em que houve o pré-lançamento do evento brasileiro.
Em seguida, explicou as áreas de atuação da entidade, com ênfase no “Information For All” (Informação para Todos), que agrega seis pilares: informação para o desenvolvimento; alfabetização informacional; ética da informação; preservação da informação (documentação); acessibilidade da informação; e o multilinguismo.
Enfatizou que esse processo precisa da mídia, sobretudo, do rádio, para ajudar a promover a inclusão digital. “Temos inúmeros desafios no Brasil, com populações de difícil acesso, por isso é muito importante que a educação midiática leve em conta os trabalhos das telecomunicações brasileiras, que podem nos ajudar neste processo de alfabetização, que requer a formação de líderes, que possam entender as necessidades de cada município”, finalizou.

É importante que a educação midiática leve em conta os trabalhos das telecomunicações brasileiras, que podem nos ajudar neste processo de alfabetização, que requer a formação de líderes, que possam entender as necessidades de cada município”, Adauto Soares, coordenador de Comunicação da Unesco
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Iniciativas da sociedade civil
Após a apresentação das autoridades, iniciativas organizadas pela sociedade civil integraram a programação, elencando seus trabalhos no campo da educação midiática. O EducaMídia, referência na formação de professores e alunos, foi o que abriu o painel de experiências. Apresentado por Daniela Machado, coordenadora-geral do programa, explicou que ele atua com trabalhos formativos, organiza eventos presenciais e remotos, desenvolve publicações especiais, como e-books, vídeos, podcasts, dentre outros. “A Educação Midiática é um caminho para as crianças navegarem com segurança no universo da informação. Ela pode e deve ser tratada como uma camada que faz sentido a todas as disciplinas, pensando sempre na intencionalidade. Deve ser vista como algo transversal, que pode ser incorporada no dia a dia da escola”, apontou.

A Educação Midiática é um caminho para as crianças navegarem com segurança no universo da informação”, Daniela Machado, do EducaMídia
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Em seguida, o projeto Redes Cordiais foi apresentado pela coordenadora Gabriela de Almeida Pereira. Iniciativa que nasceu com objetivo de construir redes sociais mais saudáveis, auxiliando na formação de líderes da sociedade, dentre eles os influenciadores digitais, para que, juntos, possam promover a educação midiática. Tem como foco o combate à desinformação, tendo como estratégias a conscientização do uso responsável dos ambientes digitais, entendendo as complexidades deste universo com aberturas positivas, mas, também, as negativas. “Queremos disseminar boas práticas, contando com a parceria da nossa comunidade, dos influenciadores digitais, para falar de educação midiática e resgatar os valores das instituições”, destacou.

A educação midiática ajuda a resgatar os valores das instituições”, Gabriela de Almeida, do Redes Cordiais
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O gerente de projetos Guilherme Alves destacou as ações da Safernet Brasil, que promove o uso ético, cidadão, responsável e seguro da internet, com foco nos direitos humanos. Apontou as ações realizadas nos eixos de trabalhos voltados à prevenção nos ambientes digitais, dentre eles, o Educação e Inovação, que tem vários materiais sobre cidadania digital. Há, inclusive, os direcionados à educação midiática, que não se resume só em checagem de notícias. “Trabalhamos o ambiente on-line, que pode ser tóxico. A educação midiática é vista como forma de combater os discursos de ódio e promover o uso consciente e responsável das tecnologias”, ressaltou.

Combater os discursos de ódio e promover o uso consciente e responsável das tecnologias”, Guilherme Alves, da Safernet Brasil
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Victor Vicente, do Instituto Veros, deu continuidade às apresentações. Um coletivo de pesquisadores que, juntos, ajudam a transformar a internet em um ambiente mais saudável e sustentável para todos. Destacou os campos de atuação do instituto, como cursos, campanhas de comunicação, pesquisas acadêmicas e apoio à imprensa; ações coordenadas, realizadas em redes, para promover seus pilares; articulação com influenciadores, engajamento em redes de ativistas. Em dois anos de atuação, tem impactado diferentes camadas da sociedade, com materiais educativos (cartilhas, orientações, formações) e informativos (podcasts, portais).

Queremos ajudar a transformar a internet em um ambiente mais saudável e sustentável para todos”, Victor Vicente, do Instituto Veros
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Para finalizar, Bruna Hercog apresentou as iniciativas do Intervozes, o Coletivo Brasil de Comunicação, que se engaja, dentre outros trabalhos, no acompanhamento da entrada das plataformas digitais nas escolas, fomentando uma crítica aos monopólios digitais, uma postura ética das empresas e a reorientação dos usos das tecnologias nos diferentes territórios como forma de incentivar o empoderamento pelo viés da comunicação. A instituição luta para que todas as vozes possam ser ouvidas. Atua com pesquisas, escrita política e desenvolvimento de projetos. Preocupa-se com o ingresso dos estudantes no ambiente digital, e, nos últimos anos, com a exposição dos dados destes jovens às empresas midiáticas. Segundo a coordenadora, a educação midiática precisa incluir o debate sobre os monopólios digitais. “Olhar a mídia como um sistema, e não só como uma educação para o digital e as redes sociais, avaliando seu impacto na construção das sociabilidades e nas narrativas”.

Olhar a mídia como um sistema, avaliando seu impacto na construção das sociabilidades e nas narrativas”, Bruna Hercog, do Intervozes
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Materiais de apoio à educação midiática
As instituições irão colaborar com materiais didáticos e informativos sobre a educação midiática, para auxiliar na apresentação deste conceito e, principalmente, na sua aplicabilidade nos diferentes contextos educativos, sobretudo, nos envoltos pela educação básica. Os parceiros que participaram do webnário socializaram seus trabalhos, que ficarão disponíveis no site do Governo Federal: Clique Aqui!
Participe
Aqueles que vêm se dedicando aos estudos, pesquisas e práticas em educação midiática, educomunicacação, alfabetização midiática e informacional ao longo dos últimos anos podem participar da Semana Brasileira de Educação Midiática enviando uma proposta a ser desenvolvida em seus territórios. A atividade irá agregar o calendário de ações a ser realizada entre os dias 23 e 27 de outubro.
Palestras, oficinas, aulas, rodas de conversa, projetos, dentre outras, podem ser inscritas em um formulário produzido pela Secom. Clique aqui!
As atividades formarão um mapa dos eventos em alusão à educação midiática, identificando a mobilização nacional em prol de uma educação compromissada com o fortalecimento da democracia.
