Por Suéller Costa

“Seja a mudança que você quer ver no mundo”. A famosa frase do ativista social Mahatma Gandhi, o indiano defensor dos direitos humanos, impulsiona aqueles que se incomodam com os problemas sociais e se mobilizam em prol de transformações que o poder público não alcança e, muitas vezes, não “dá conta” de atender. A mensagem veio à mente desta educomunicadora durante a participação no terceiro encontro do “Café, Projetos & Terceiro Setor”, que trouxe um tema que dialogou, e muito, com as inquietações desta jornalista e professora e as inspirações do líder asiático. Organizado pela Rede Pocante, o evento, realizado no final de fevereiro no Sincomércio Mogi das Cruzes, trouxe ao centro dos debates a “Teoria da Mudança”, apresentada pela Juliana Bertin, da Soulcial. A mediadora levou os representantes de diversas instituições do Alto Tietê a repensarem seus propósitos, suas ações, seus problemas e os objetivos frente às dores da sociedade que almejam amenizar e, inclusive, curar!

Qual a mudança você deseja ver no mundo? Este foi um dos questionamentos que impulsionaram o encontro da vez, que, novamente, inspirou os idealizadores de projetos que visam, sobretudo, o impacto social, ao ajudar a combater problemáticas que o poder público tem sido insuficiente em sua missão. A especialista em Teoria da Mudança apresentou o conceito, que vem sendo estudado e popularizado desde 1995 pela estudiosa Carol Weiss. Trata-se de uma abordagem de planejamento que reúne atributos de avaliação, mensuração e acompanhamento do impacto de um programa. Começa com a descrição do que se espera alcançar, etapa que vai nortear o mapeamento do que deve ser feito no curto e médio prazo para chegar a esse objetivo. Para isso, é feita uma representação gráfica de como e por que uma mudança deve acontecer em um dado contexto.

Juliana Bertin, da Soulcial, mediou o encontro, apresentando a Teoria da Mudança; a especialista apresentou exemplos e orientou a todos a mapearem os problemas, objetivos, ações e impactos que as instituições almejam junto às suas comunidades Crédito: Benny Avelino

 

Juliana convidou a todos a pensarem nas mudanças que desejam trazer a este mundo em constantes transformações e que exigem de todos disposição para se inovar continuamente.  Diante dos inúmeros problemas nos âmbitos sociais, econômicos, culturais, educacionais, dentre outros, a especialista indagou os participantes com relação a qual dessas emergências gostariam de, ao menos, amenizar. “Qual problema a sua instituição quer resolver?”, “Você conseguiria resumir o trabalho da sua ONG em poucos minutos?”, questionou. E continuou: “Quais resultados sua ONG realiza?”; “Quais os dados têm a apresentar?”, “Qual o impacto do seu trabalho?”.

Perguntas que ajudaram a todos a refletirem sobre o trabalho que desempenham. Com base nas provocações, todos puderam pensar juntos e registrar seus insights acerca dos passos necessários para se construir uma “Teoria da Mudança”. Segundo Juliana, existe um modelo lógico para que ela seja delineada, o qual foi apresentado, e todos se desafiaram a construí-lo.

Os presentes receberam uma ficha personalizada, elencando o passo a passo para esse mapeamento e o planejamento das ações iniciais para a busca de resultados e, em especial, impacto social.  Os participantes escreveram suas propostas, compartilharam com o grupo e ainda receberam orientações da especialista no assunto.

“A Teoria da Mudança dever ser construída em conjunto com toda a equipe, que precisa se debruçar sobre o problema; fazer um mapeamento do cenário, com a verificação do antes e o depois da implementação do seu projeto; a prestação de contas do trabalho; a transparência das atividades; e trazer métricas da sua ação, ou seja, dados que ilustrem o impacto que gera na comunidade”, explicou Bertin.

 

Ao todo, representantes de 28 instituições do Alto Tietê acompanharam o encontro, compartilhando seus trabalhos e os desejos de mudarem contextos que carecem de atenção Crédito: Deize Renó

A terceira edição do Café, Projetos & Terceiro Setor proporcionou importantes aprendizados para repensar a trajetória das instituições, as inspirações para a busca de resultados a curto, médio e longo prazo, a avaliação dos impactos que almejam gerar e uma análise dos trabalhos que desenvolvem a fim de reconhecer a sua importância.

“A Teoria da Mudança ajuda na reorganização de um programa, que precisa prezar pela Transparência Social, para que todos conheçam, acompanhem e se unam às suas ações, uma vez que é preciso reconhecer que os trabalhos das ONGs resolvem problemas que poderiam ser ainda maiores sem o compromisso de vocês com a sua comunidade”, finalizou.

 

O Educom Alto Tietê marcou presença em mais um evento importante à implementação de suas ações; na foto, Suéller Costa com Valterli Martinez, do Sincomércio; Ariane Perez, da Rede Pocante; e Juliana Bertin, da Soucial Crédito: Benny Avelino